11 de jan de 2015

verão

O frescor da manhã dura pouco. O dia acorda quente e agitado, sem tempo pra descansar na sombra ou pra se refrescar de brisa: não há nuances sob o sol de verão, e talvez por isso seja tão difícil escrever. É como se a vida acontecesse apenas lá fora, elétrica e radiante, alegria de cigarras, insetos e pessoas em atividade frenética chamando pra festa: vem! No calor das horas, tudo se expõe sem pudor, ruas, árvores, corpos e humores adquirem contornos exatos ao meio-dia. Mas as palavras se dissolvem, enfraquecidas, preguiçosas, dispersivas, à espera de nuvens que tragam alguma calma e, com sorte, concentração e sua promessa de histórias e tempestade.
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