25 de nov de 2013

Casa (5)

Ela entra pela janela e desliza rapidamente pela parede. Parece desnorteada naquela superfície branca e lisa. Desce, contornando os quadros, e de novo sobe em zigue-zague até encontrar caminho livre rumo ao ponto mais alto: avança, experimentando o teto e ali sossega por um instante, num breve descanso em sua vida nômade de lagartixa. Então me lembro de outra sala, há muitos anos, e quase escuto a voz da minha mãe dizendo: ela é feia, mas traz sorte, nunca expulse uma lagartixa de casa! Do meu lugar, olho para cima, sem me mexer -- um não-gesto que significa: fique o tempo que quiser. E agradeço a visita inesperada, que trouxe um flash do passado como um bom presságio do futuro.
Postar um comentário