9 de mai de 2017

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(…) Como se entrasse em um templo a céu aberto, ela mergulha nas trilhas sombreadas do parque em busca de silêncio, o silêncio possível dentro da cidade, o som dos carros que passam na via expressa chegando abafados pela cortina de árvores. Enquanto lá fora a vida segue em trânsito, Beatriz entra em outro ritmo, num tempo marcado pelo tique-taque das cigarras, a conversa dos pássaros, o rumor do vento, a eletricidade calma dos insetos. E o que, antes, era uma parada eventual no meio de seu percurso, agora é o lugar-santuário onde ela se recolhe, envolvida pelo perfume verde das cabreúvas, figueiras, tipuanas, jatobás e paineiras, os troncos tatuados com tantos nomes, iniciais e símbolos de amores que talvez já não existam (…*)

(*trecho de uma história que estou escrevendo)


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