8 de jun de 2015

Péricles somos nós


um trechinho da história do gato Péricles:

Virei Péricles-da-Sílvia por conta da teimosia da própria. Estou me referindo à Sílvia, claro. Lá estava eu, desiludido de todas as minhas vidas quando ela me achou, faminto e chateado, perambulando pelas ruas. Foi assim que minha sexta vida acabou cruzando com a primeira do jovem Péricles, um siamês vesguinho e muito simpático que já morava na casa há alguns meses. Vocês sabem, sou temperamental e meio arisco, mas andava tão carente naquela época que não resisti ao chamego dela e entrei no carro sem miar, mesmo desconfiando daquela história de “meu Péricles”. Deduzi que ela tinha me confundido com outro gato e me fiz de desentendido, sonhando com uma refeição farta num canto quentinho, antes que ela percebesse o possível engano. Mas não era nada disso. Descobri tudo logo que chegamos em casa: o que a Sílvia queria mesmo era um gato pra chamar de seu, e de Péricles! Até hoje não sei se foi falta de imaginação ou pura birra, mas ela tanto fez e teimou que teimou e bateu o pé até dar no que deu: dois Péricles, eu e o da Julia, vivendo sob o mesmo teto e sobre os mesmos telhados.
A coisa toda era confusa, mas com o tempo aprendemos a reconhecer quem estava sendo chamado a cada momento, eu ou o Péricles-da-Júlia. De todo modo, foi uma época gostosa, com rações miauvilhosas pra cada um de nós, servidas em tigelinhas separadas. A minha, felizmente, não era estampada com florzinhas e gatinhos ridículos, como a do meu xará. Mas ele não parecia se importar com isso. Também tínhamos banheiros privativos, cada qual com a sua bandeja, e cestinhas aconchegantes pra dormir confortavelmente sempre que desse vontade.
Vira e mexe penso nele, o pequeno Péricles... Será que ele teve a mesma sorte que eu?
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