17 de out. de 2014
que legal!
Acabo de saber que a versão do "Como Começa?, editado na Suécia pela Opal Bokforlaget, entrou em uma lista de bibliotecas públicas. Viva!
14 de out. de 2014
prece
chove, chuva,
chove sem parar
chega de greve
chova como bem desejar
com barulho de trovão
com raiva de granizo
ou até quietinha
molhe todas as coisas
com alegria de garoa fininha
com raiva de granizo
ou até quietinha
molhe todas as coisas
com alegria de garoa fininha
chove, chuva
chove sem parar
com música de água
vamos todos dançar
9 de out. de 2014
Aconteceu na Escola
Gilles Eduar, Maria Amália Camargo, Blandina Franco, Índigo e eu nunca estudamos juntos, mas tivemos a sorte de partilhar histórias deliciosas em "Aconteceu na Escola", livro novo saindo logo, logo, com ilustrações do Rafa Anton e edição caprichada da Globo Livros.
6 de out. de 2014
Reviravento
Às vezes, ele chega de mansinho, diz bom dia pela fresta da janela e assobia no mesmo tom dos passarinhos. Mas quando acorda nervoso, espalha a notícia por toda parte, deixando a árvore crespa, o cabelo despenteado e o pensamento inquieto. Vento é assim: muda a cada momento, mexe e remexe com tudo, até com a imaginação da gente. Porque ele sopra histórias no ar pra todo mundo escutar e também faz as palavras voarem quando quer fazer poesia.
…Taí a 4ª capa do "Reviravento"que sai logo, logo, pela Record!
4 de out. de 2014
26 de set. de 2014
ver o mundo
Eu vi a lua cheia iluminando a noite sobre o Hyde Park, e um gato chamado Mitsi dormindo entre as máscaras de uma lojinha em Veneza. Vi tantas ruas cheias de gente e também vi dezenas de gôndolas vazias, descansando com seus fantasmas sobre as águas quietas de um canal. Trouxe comigo um monte de sensações e um calendário pra ver as ilustrações de Wolf Erlbruch todos os dias. Ver o mundo é tão bom. Voltar é tão bom.
4 de set. de 2014
viajar
pela janela
contemplo
a vida em movimento
e ronrono:
lá fora e aqui dentro
tudo é sonho
a ilustração é do Daniel Kondo, e eu volto no final do mês.
contemplo
a vida em movimento
e ronrono:
lá fora e aqui dentro
tudo é sonho
a ilustração é do Daniel Kondo, e eu volto no final do mês.
2 de set. de 2014
belas adormecidas
Todas as lembranças encontram um lugarzinho pra dormir dentro da gente. Algumas adormecem na cabeça, muitas se acomodam no coração, mas não só. Tem lembrança que descansa na língua e vive acordando, basta ser chamada pelo sabor de um doce da infância. Lembrança é assim: desperta por causa de um cheiro, uma música, certas palavras, uma paisagem. Nem todas têm um sono tranquilo -- são lembranças meio inquietas, não conseguem sossegar talvez porque tenham a ver com um passado que não passou de verdade. Mas também existem as que mergulham num sono tão profundo que só espreguiçam quando se cutuca muito. Mesmo assim, continuam sonolentas e embaçadas, confundido a gente com os sonhos que elas estão sonhando.
31 de ago. de 2014
26 de ago. de 2014
de uma história que está começando (2)
Tenho doze anos e sempre dou um jeito de ficar doente ou
inventar uma desculpa pra não participar das aulas de educação física. Mas hoje
o professor não me dispensou e depois do aquecimento me convoca pra fazer parte
de um dos times de vôlei. Não tenho chance de dizer que não sei jogar, minha boca
trava, a voz desaparece pra sempre. Então ele me chama, do centro da quadra,
apontando a posição que devo ocupar, e chama de novo porque não me mexo, na
inútil esperança de que alguém se ofereça e me salve do desastre. Enquanto
caminho em direção à quadra percebo um grupinho de meninas cochichando e rindo,
na mesma hora tenho certeza de que estão falando de mim, por isso abaixo a
cabeça e sigo, devagar, suando dentro do uniforme, desconfortável, desajustada,
sempre eu. O jogo começa, a bola passa voando por cima da minha cabeça, uma
vez, duas, e de novo, o time vai trocando passes como se eu não existisse, e de
repente algo acontece, uma coisa por dentro, forte, uma espécie de raiva que me
lança pro alto, é só um impulso mas me deixo levar e subo: meu corpo ultrapassa
o limite da rede, o braço esticado e minha mão lá em cima, alcançando a bola
antes das outras mãos com um toque certeiro, delicado, inesperado: marco um
ponto para o time, todos comemoram. Pela primeira vez, aplausos.
(...)
25 de ago. de 2014
19 de ago. de 2014
de uma história que está começando
Filha, eu estou lendo, e quem quer sorvete é você. É só ir até lá e pedir pro moço!
Talvez seja meio-dia, o sol é o dono da praia e estou sentada na areia, a dois passos dos pés da minha mãe. Tenho seis anos e tudo o que mais quero é um picolé de chocolate. As três meninas continuam ali, de pé, ao lado do sorveteiro, conversam sem parar, palitos pingando chuva sabor limão, quem sabe abacaxi, na areia quente. Estão hospedadas no mesmo hotel que eu -- já estavam lá quando chegamos. Então não. Pego a pazinha vermelha, cavoco a areia com força e faço um buraco enorme querendo me enterrar com a minha timidez (…).
Talvez seja meio-dia, o sol é o dono da praia e estou sentada na areia, a dois passos dos pés da minha mãe. Tenho seis anos e tudo o que mais quero é um picolé de chocolate. As três meninas continuam ali, de pé, ao lado do sorveteiro, conversam sem parar, palitos pingando chuva sabor limão, quem sabe abacaxi, na areia quente. Estão hospedadas no mesmo hotel que eu -- já estavam lá quando chegamos. Então não. Pego a pazinha vermelha, cavoco a areia com força e faço um buraco enorme querendo me enterrar com a minha timidez (…).
18 de ago. de 2014
dicionário imaginário
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Ansiedade (s.f.): é o que acontece quando o tic não consegue esperar e quase atropela a vez do tac.
6 de ago. de 2014
o passado
4 de ago. de 2014
bom dia
uma manhã de verão no meio do inverno, um sorriso abrindo com a porta do elevador, uma ideia pra continuar o conto que comecei a escrever: um dia com tudo pra ser bom.
28 de jul. de 2014
inverno
é como um toque de recolher: os dias vão embora mais cedo, encolhidos de frio, e a vida lá fora fica mais quieta pedindo pra gente escutar as palavras de dentro.
23 de jul. de 2014
escrever
É como mobiliar uma casa vazia.
Às vezes começo colocando um sofá e tapetes na sala. De vez em quando, os primeiros móveis vão direto para o quarto, e é lá que fico morando um tempão, esquecida dos outros espaços da casa. Habitar um novo texto: cada vez acontece de um jeito, mas uma história só termina quando a casa está completa, com roupas dentro do armário, cheiro de bolo assando no forno, portarretratos e objetos espalhando lembranças por todos os cantos.
Enquanto moro nesse lugar, muitas vezes mudo a decoração, hospedo pessoas que vão e vem, aprendo a conviver com quem vai ficando. No final, quase sempre é difícil abandonar essa morada, tudo em volta já se tornou querido e familiar demais. A hora de ir embora sempre é um pouco triste, mas não só: também fico feliz vendo a casa finalmente pronta pra receber visitas.
Depois disso, passo um tempo perambulando pela cidade, me atrevo por bairros desconhecidos, descubro ruas simpáticas e, em algum momento, me interesso por outro endereço. Nos primeiros dias, estranho os barulhos da vizinhança, a cara do jornaleiro, a distância até a padaria. Mesmo assim, decido ficar, vou me instalando aos poucos e penduro os primeiros quadros nas paredes brancas, com o cheiro da tinta fresca anunciando uma história novinha em folha.
11 de jul. de 2014
era uma vez outra Cinderela
… e a história termina assim:
Por enquanto, está dando certo.
1 de jul. de 2014
dois
o mesmo vento
envolve
dois pensamentos
a mesma tarde quieta
acolhe
duas bicicletas
no mesmo segundo
giram
dois mundos
e a ilustração é da Maria Eugenia.
envolve
dois pensamentos
a mesma tarde quieta
acolhe
duas bicicletas
no mesmo segundo
giram
dois mundos
e a ilustração é da Maria Eugenia.
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