8 de abr. de 2011

7 de abr. de 2011

O primeiro sutiã

Eu ainda não tinha 12 anos quando ganhei meu primeiro sutiã. Como fui uma das primeiras a precisar do acessório, lembro que, no início, achei esquisito e ficava sem graça quando os meninos puxavam a alça só pra azucrinar. Já entre as meninas o sutiã provocou um efeito diferente: aquela sombra debaixo da camisa branca do uniforme revelava que eu já era "grande" e impunha certo respeito entre o grupo. Não é pra menos que aquele slogan publicitário fez tanto sucesso -- o primeiro sutiã a gente nunca esquece mesmo: o meu fez parte do ritual de passagem para a adolescência. Lembrei de tudo isso lendo a reportagem publicada na Folha de hoje, sobre os sutiãs confeccionados especialmente para crianças, "peças com enchimento imitando o formato dos seios"(!?!).
Confesso que fico incomodada quando vejo uma menina de 6 anos usando sandalinha de salto alto, brilho nos lábios ou fazendo as unhas no salão de cabeleireiro. Possivelmente ela já está usando ou pedindo pra mãe comprar o tal sutiã com bojo sem imaginar que, com tudo isso, não vai curtir o melhor da festa, quando chegar aos 12.

(ST)              

6 de abr. de 2011

Novidade na janela

Estava trabalhando na maior concentração quando apareceu... um pica-pau. Com o maior cuidado pra não espantar o novo visitante, dei um zoom e comecei a fotografar.
 
Pra minha surpresa, o gorducho não se intimidou. Tivemos até um momento olhos nos olhos.    
 
Como tudo parecia tranquilo, me atrevi a levantar e fotografei a lindeza de outro ângulo. Ele é enorme, mas tão elegante! 

E então, no melhor estilo pica-pau, o danado atacou a bandeja de frutas e devorou tudo em ritmo acelerado. Só sobrou casca de mamão.

As maritacas vão chiar, mas eu adorei. Tomara que ele vire freguês e apareça mais vezes por aqui.

(ST)   

4 de abr. de 2011

Animal ferido

Disseram que ela passou o tempo todo miando pelos cantos do apartamento, desolada. Nem por isso tive uma recepção calorosa quando cheguei de viagem. Aliás, foi mais uma não-recepção, como sempre acontece. Assim que entrei em casa, a gata me lançou um rápido olhar acusador e seguiu fazendo suas coisas, sem dar a menor bola. O gelo continuou no final de semana, e depois de duas ou três tentativas de aproximação, resolvi ficar na minha. Hoje cedo, como quem não quer nada, ela pulou pra cima da “nossa” mesa e foi se acomodando na almofada preferida -- o roteador sempre quentinho -- só que fez questão de ficar assim, de costas pra mim. Também vou fazer de conta que não é comigo. Vamos ver quanto tempo ela aguenta. 

(ST)              

1 de abr. de 2011

Sete dias e um post

Frio em Milão, sol em Bolonha e uma agenda puxada que rendeu encontros deliciosos no IBRIT (Istituto Brasile Italia), nas escolas e na feira do livro. O álbum de fotos conta um pouco do que aconteceu na viagem:



Conversa gostosa com a jornalista carioca Monica Paes, que vive em Milão há 25 anos e comanda um programa na Radio Popolare.

Carla e eu com as alunas e a professora de uma das escolas que nos receberam em Milão.


Carla apresenta Tarsila do Amaral para uma turma de ouvintes atentos.


Plateia aninada do começo ao fim de cada encontro nas escolas.

Eu, a editora Miriam Gabbai, da Callis, e Carla Caruso, no IBRIT (Intituto Brasile Italia) no evento "Conversa com Autores".


Carla com Silvia Ghetti, que traduziu nossos livros, e a escritora Claudia Souza, que coordena as atividades do IBRIT.

Pausa para um cappuccino com a querida Maria Eugenia na feira de Bolonha.
 
Não vi a senhora Meyer pela janelinha do avião, mas a bruxa Creuza estava lá e se intrometeu o tempo todo na minha conversa com a Júlia Moritz Schwarcz que, há oito anos, leu e publicou as primeiras histórias dessa personagem.

(ST)     

23 de mar. de 2011

Voar (2)

No 6º capítulo de "Uma Bruxa em Órbita" a Creuza pousa em Marte pra participar de uma grande festa -- a continuação da história já está publicada no site Brincando na Rede.
Eu também estou com a malinha na mão, a caminho de Milão e Bolonha com a querida escritora Carla Caruso pra participar de uma série de eventos no Instituto Brasile Italia a convite da editora Callis. Depois seguimos rumo à Fiera del Libro di Bologna. A nossa festa também promete.
Mando notícias, até a volta!

(ST) 

21 de mar. de 2011

Voar

Adoro viajar, mas não gosto nadinha de aviões. Não por causa do desconforto, a poltrona apertada não é problema pra mim. Dureza é o aperto do peito e a vontade de sair correndo na hora em que a porta fecha. Disfarço bem, só alguém muito atento vai perceber que estou em pânico, mas é exatamente assim que me sinto durante todo o tempo de voo -- um tempo suspenso em que fico literalmente em suspense. Leio cinco vezes a mesma página do livro, tento acompanhar o filme, com sorte até tiro um cochilo, mas estremeço ao menor chacoalhinho, chamo a aeromoça se percebo um ruído estranho. O drama só termina quando o avião finalmente pousa.  
Anos atrás, por conta de uma reportagem para a revista Exame, fiz um curso para executivos que tinham medo de avião. Aprendi um monte de coisas sobre correntes de ar e turbulências, e até escrevi uma matéria encorajadora, mas, na prática, segui embarcando com todos os meus temores. Muitos anos depois, esses temores inspiraram a primeira história infantil que escrevi, a da bruxa Creuza em pânico dentro de um avião, na época em que trabalhava na revista Marie Claire e estava prestes a ser despachada para a Espanha. De lá pra cá, venho aprendendo a voar a bordo das palavras e gosto cada vez mais dessas viagens. É por isso que, a dois dias de encarar mais um avião rumo a Milão e Bolonha, peço emprestada a vassoura da Creuza e também releio a história de Wolf Erlbruch -- dessa vez, vou sentar perto da janela pra tentar ver a senhora Meier voando com seu melro.


(ST)

18 de mar. de 2011

Irmãs

Entre duas irmãs, nove anos
E a alegria da moleca com sua boneca

Entre duas irmãs, outro tempo
E a intimidade de amigas de verdade

(ST)

17 de mar. de 2011

No parque

Hoje um ventinho gelado começou a espalhar a notícia: o outono está chegando.

(ST)

16 de mar. de 2011

Felicità

Conhecer a Bologna Children's Book Fair já é o máximo. E ir pra lá a bordo do meu "Come Comincia" está sendo um sonho. 

(ST)

15 de mar. de 2011

Memória

Toda vez que passo em frente ao prédio onde morei quando era pequena tenho o impulso de parar e perguntar se tem algum apartamento pra vender ou alugar. Não estou procurando imóvel, isso seria só uma desculpa pra visitar o lugar onde vivi dos 6 aos 13 anos. Dias atrás, uma placa pregada no portão do prédio me fez encostar na primeira vaga que surgiu. Estacionei, mas não saí do carro. Não sei quanto tempo fiquei ali, olhando pra portaria onde eu e a “melhor amiga” do 6º andar montávamos uma banquinha improvisada com pilhas de gibis velhos. A gente passava a tarde oferecendo as revistinhas pela metade do preço pra quem passasse pela calçada. Adélia era uma ótima vendedora! Por onde andará essa minha primeira sócia?
Depois olhei para o terceiro andar e entrei pela janela no quarto da minha mãe, adivinhando a grande penteadeira com espelho na parede à esquerda, a cama de madeira bem em frente, a porta do banheiro no meio da outra parede, “disfarçada” entre as portas dos armários embutidos... Fui até a sala, sentei no sofá verde de pés palito, abri a tampa do piano preto e parei na frente de um quadro que sempre achei triste -- uma praia escura e deserta, presa numa moldura dourada horrorosa. De repente, pensei: será que a sala é mesmo tão grande quanto a da minha memória? E então perdi a coragem de ir em frente. Porque o mundo inteiro cabia dentro daquele apartamento, e também no quintal da minha avó e no pátio da escola, lugares que vão continuar sendo do tamanho do meu mundo de menina.

(ST)

11 de mar. de 2011

Crescer

Na capa da Folha de hoje: o menino que vestia uma camisa listrada (no post que está logo aí embaixo) continua saindo por aí.    

(ST) 

10 de mar. de 2011

Soninho

Efeito de um dia cinza depois do feriadão.
...

A imagem faz parte da série "Sleep", da designer inglesa Sarah Cai.

(ST)

3 de mar. de 2011

Abre-alas

Fantasia colorida
Pingos de confete
Chovem na avenida
 
"Ala das Baianas do Carnaval do Rio", de Sonia Campos

(ST)

2 de mar. de 2011

É isso

Sabe aquela pessoa completamente aérea, que vive distraída e sempre passa uma sensação de ser meio confusa? Esse personagem se encaixa perfeitamente no adjetivo “despassarado”, uma palavra que os portugueses usam muito, e que raramente aparece por aqui. O que é uma pena, pois despassarado diz tudo: a gente logo imagina alguém desnorteado, perdidão, um misto de desastrado com desorientado. Fui atrás da etimologia: embora tido como derivado de des- + pássaro + ado, a relação entre os elementos e o significado do vocábulo é obscura, diz o Houaiss. Mas, será tão obscura assim? Penso num passarinho que se afasta da turma atraído por uma promessa qualquer e depois continua voando sem rumo. De vez em quando pousa num galho, dá uma bicada aqui, outra ali, de repente percebe que está num lugar estranho e alça voo mais uma vez, sem saber direito onde quer chegar. Totalmente despassarado. Quem não conhece alguém assim?
(ST) 

1 de mar. de 2011

Adolescência

"De vez em quando, pego o álbum da festa pra olhar e eu mesma não acredito na minha cara de felicidade em todas as fotos. Lembro que cheguei em casa às seis da manhã, com a cabeça e o coração a mil. Não conseguia dormir. Fiquei um tempão sentada no meu quarto, no meio de um monte de presentes, realizando a coisa toda. A virada dos 15 anos foi muito forte pra mim. Desde os 13, meu corpo vinha explodindo -- eu parecia um mulherão de 1,80 m, mas continuava me sentindo uma menininha. Depois daquela festa cheguei mais perto da minha altura. Então tudo começou a se encaixar."

Trecho de um dos depoimentos de "O Nosso Rito a Gente Inventa", livro novo saindo logo, logo pela Callis.

(ST)