8 de dez de 2016

verão

O frescor da manhã dura pouco. O dia avança com o sol de verão se impondo sem nuances e talvez por isso seja tão difícil escrever: é como se a vida só acontecesse lá fora, elétrica, radiante feito alegria de cigarras, o mundo pulsando, ansioso, chamando pra festa: vem!
No calor das horas, todas as coisas se expõem sem pudor -- ruas, árvores, corpos e humores adquirem contornos exatos ao meio-dia. Mas as palavras se dissolvem, preguiçosas, e adormecem sobre nuvens tênues. Só despertam quando o vento sopra forte anunciando a chegada de nuvens densas, que se concentram, carregadas de energia, trovejando histórias e tempestades.