26 de mai de 2016

inverno

noite escura
céu deserto
ninguém na rua

 de repente
entre nuvens
      luz

crescente lua
     se insinua

15 de mai de 2016

aconteceu na escola

7h12. Entro no carro e emendo o bom-dia com um desculpe por causa do meu atraso de uns dois minutos. Nem assim o pai do Edu vira o rosto pra dar um olá. Tem dias em que ele está muito mal humorado e, pelo visto, hoje é um desses dias. Então sento no cantinho e tento me ajeitar com a cabeça da Dani já no meu ombro. É incrível como ela consegue dormir em qualquer lugar e posição! A irmãzinha do Edu boceja um oi sonolento, e ele resmunga outro, com a cara enfiada na mochila. Parece que está procurando alguma coisa importante. O carro segue em silêncio pelo caminho de todos os dias rumo à escola. Esse programa é mais animado quando vamos com a mãe da Dani. Ela fala o tempo todo, fica perguntando coisas, às vezes até canta junto com o rádio. É uma alegria. Mas, às vezes, olho pra ela e vejo uma daquelas mães-margarina de comercial de televisão. Desconfio. Bom, isso tem a ver comigo. Sou desconfiada. 
Segundas e quintas vamos com a minha mãe. Antes de ligar o carro, ela checa o batom no espelhinho, depois acende um cigarro e engata, com o celular na mão. Ela vive querendo parar de fumar. Quer dizer, vive dizendo que quer parar. Pra mim, tanto faz. Já me acostumei a ver minha mãe através da fumaça.
(…)
trecho do conto "Sexta-Feira", em "Aconteceu na Escola", projeto tive a felicidade de participar ao lado de uma turma incrível: Blandina, Gilles Eduar, Índigo e Maria Amália Camargo.

6 de mai de 2016

mãe

a fivela-pente, o anel de pérola
o bloquinho de notas com a letra dela
uma foto-binóculo, a carteira de identidade
abro a caixinha, encontro a saudade