31 de mar de 2010

A primeira Alice


O cinema tinha oito anos de vida quando Alice estreou na tela, em 1903, com imagens baseadas nas ilustrações originais de John Tenniel. Como Tim Burton, que transformou sua mulher (Helena Bonham Carter) na Rainha Vermelha, o diretor Cecil Hepworth também escolheu a dele para ser a Rainha de Copas. Mas foi além: é o gato da família que faz o papel do Gato de Cheshire.

(ST)

30 de mar de 2010

O diário

Como as palavras nunca eram suficientes, os dias da menina se contavam com Bic azul, verde, preta e vermelha.

(ST)

29 de mar de 2010

Outra turma

Ainda sobre a história do rouxinol-sabiá: coloquei banana, maçã e casca de pera no parapeito da janela pra ver se o bonitão chegava mais perto, dando chance pra fotografar melhor e finalmente encerrar o tira-teima. Apareceram muitos pássaros, como esse lindinho, e uns bem pequenos, azuizinhos... Mas nenhum com o peito laranja, parecido com o (talvez) rouxinol ou com os sabiás gorduchos de sempre.
Além do mais, minha gata está ficando bem nervosa com toda essa movimentação. Na hora em que esses dois periquitinhos (ou maritacas?) vieram lanchar, ela ficou tomada -- assim que bati essa foto, ela se atirou de cara no vidro e despencou no chão. Depois saiu miando, muito chateada. Enfim, deu tudo errado. Saldo do dia: zero rouxinóis e uma gata enciumada.

Ver histórias


Da exposição "O Mundo Mágico de Marc Chagall", que terminou ontem: "Olhe com atenção e a gravura se põe a fabular sozinha" -- o texto de apresentação do filósofo francês Gaston Bachelard prepara os olhos da gente pra ver as imagens da série inspirada nas fábulas de La Fontaine. Ele tem razão: quase dá pra ouvir a conversa da "Águia e a Coruja".

(ST)

26 de mar de 2010

É assim


A tirinha do Adão Iturrusgarai na Ilustrada de hoje veio de encomenda. Não chego a ser tímida desse jeito, mas falar em público definitivamente não é o meu forte. Topei participar do Clube do Livro, mas quase desisti quando o pessoal da livraria perguntou se eu queria usar microfone. Então é assim: amanhã vou estar na Saraiva do Shopping Ibirapuera, às 15h, pra bater um papo sobre os livros de J.D.Salinger. Sem microfone e com muito frio na barriga.

(ST)

24 de mar de 2010

O tesouro

Dentro do porquinho cor-de-rosa não tinha nenhuma moeda. Só as palavras mais preciosas que ela guardava com cuidado, enroladas em tirinhas de papel.

(ST)

23 de mar de 2010

Dúvida

Depois que a May Shuravel me perguntou se o rouxinol é mesmo um rouxinol, resolvi investigar melhor. Não entendo tanto assim de pássaros, mas esse que anda aparecendo na minha janela tem as cores, o tamanho, a paradinha, um jeitão mesmo de rouxinol. Conversei com o zelador: ele acha que é um sabiá. Disse que tem visto uns bem grandões, tipo gorduchos, rondando o jardim do prédio. O google não ajudou muito -- na foto de cima, um sabiá, na outra, um rouxinol, e os dois se parecem com o meu pássaro.



Continuo em dúvida, mas esse olhar "meigo" e o peito mais estufadinho me dizem que é mesmo um rouxinol.

(ST)

22 de mar de 2010

Quase uma almofada


Ela já vivia no loft que a fotógrafa Nicki Heiniger alugou quando foi morar em Londres. Missi tem sete anos, uns quilinhos a mais e é dorminhoca como são todos os gatos do mundo -- aliás, deve ser bom demais dormir desse jeito. Vou experimentar.

(ST)

Bom dia


Essa árvore já apareceu aqui outras vezes. É pra ela que olho o dia inteiro, pela janela do meu escritório. Vive cheia de maritacas e, quando floresce, enche de beija-flor. Mas eu nunca tinha visto um rouxinol por aqui e esse tem aparecido todos os dias, sempre lá pelas 9 da manhã. Uma vez -- só uma -- chegou bem perto, pousou no galho que quase toca o parapeito do prédio e ficou me encarando, mas quando me movi pra pegar a câmera, ele desapareceu na mesma hora. Só voltou no dia seguinte, e continua vindo sempre, mas agora faz questão de manter uma certa distância. Mesmo assim, fica um tempão parado bem em frente, posudo, de peito estufado e alaranjado, uma beleza. A foto não faz jus: bati sem levantar da cadeira e o vidro fez reflexo. Mas nem penso em me mexer, vai que ele encasqueta e desaparece de vez? Vou sentir falta -- já me acostumei a começar o dia com a visita do rouxinol.

19 de mar de 2010

Inspirados e inspiradores

"Não sei fazer redação". Encontrar frases assim nas provas dos próprios alunos é pra desanimar qualquer professor. Ou não. Wagner Garcia Siqueira ficou tão incomodado com as redações das suas turmas de 3º ano que acabou inventando o "Penso, Logo Escrevo". O projeto conquistou os adolescentes e um prêmio do MEC. Conversei com ele e mais duas professoras, da Bahia e do Rio de Janeiro, que também mudaram o tom das aulas de português, através do teatro e da poesia, e estão ensinando a escrever e ler com outros olhos. Pra ler a reportagem, clique aqui.

(ST)

18 de mar de 2010

Era outra vez o outono

O som triste do "u" diz que as folhas logo vão começar a cair.
A suavidade dos "os" conta do céu claro, manchado de rosa e lilás.
Hoje cedo o outono se disse com todas as letras.

(ST)

17 de mar de 2010

Despertar

Ultimamente não tenho conseguido ler à noite. O sono sempre ganha por nocaute antes do terceiro parágrafo. Mas ontem li "Memórias Inventadas -- As Infâncias de Manoel de Barros" do começo ao fim. Tudo lindo, a edição, as iluminuras de Martha Barros e as palavras do poeta.

No quintal a gente gostava de brincar com palavras
mais do que de bicicleta.
Pruncipalmente porque ninguém possuía bicicleta.
A gente brincava de palavras descomparadas. Tipo assim:
O céu tem três letras
O sol tem três letras
O inseto é maior.
O que parecia um despropósito
Para nós não era despropósito.
Porque o inseto tem seis letras e o sol só tem três.
Logo o inseto é maior (Aqui entrava a lógica?)
Meu irmão que era estudado falou quê lógica quê nada
Isso é um sofisma. A gente boiou no sofisma.
Ele disse que sofisma é risco n'água. Entendemos tudo.
...


Como é bom quando as palavras despertam a gente.

(ST)

16 de mar de 2010

A franja do professor

Tem conto meu na Carta Fundamental deste mês. Como não dá pra acessar o site, trouxe a revista pra cá. Clique em cima das páginas pra ler.





(ST)

15 de mar de 2010

Convite

No final do ano passado, dois amigos vieram me falar de um livro de contos de J.D. Salinger, o "Nove Estorias". Fiquei curiosa e fui atrás, só conhecia "O Apanhador nos Campos de Centeio" da minha adolescência. Estava lendo o primeiro dos nove contos quando o escritor morreu, em janeiro. Na sequência, li "Fanny & Zooey", e agora estou relendo o "Apanhador". Por isso, quando o pessoal da livraria Saraiva me convidou pra participar de um encontro no Clube do Livro acabei sugerindo esse tema. No próximo dia 27, a partir das 15h, eu e outros leitores vamos trocar ideias sobre todas essas histórias na Saraiva do Shopping Ibirapuera. Apareçam!

(ST)

11 de mar de 2010

Cenas de um acampamento

Já sei tudo o que aconteceu na viagem do meu sobrinho Manoel. Reproduzo na íntegra o post que ele publicou hoje:

Lá eu fiz muitas coisas, tipo:
Nadei em um lago, fui à um passeio de um pequeno barco de remo, fui em um trampulim aquático, fui a uma piscina enorme, joguei jogos noturnos cuja única iluminação era a luz de lanterna, fui numa balada de 2 horas... e tinha também uma noite que você fazia sua propria pzza!
E como poderia esquecer da enorme Trilha do Barroso. E vocês devem estar se perguntando por que se chama Trilha do Barroso: porque é uma trilha de barro que vai barro até o sua cabeça, então pegue uma roupa velha que esteja até te apertando e use-a para alguma coisa, use-a para a Trilha do Barroso!

Cadernos

Na lousa, o teorema
Na página, um poema

Às vezes, física
Às vezes, geografia
Sempre
A poesia

(ST)

8 de mar de 2010

Mãe

Aconteceu assim: entramos no carro, eu, minha irmã e nossos filhos. Erramos o caminho, rodamos por vários lugares estranhos e, de repente, cruzamos a esquina de uma rua chamada Olga. Foi como se ela tivesse marcado um encontro com toda a família, só pra lembrar que está sempre por perto, apontando a direção.

(ST)

5 de mar de 2010

Concorrência

Meu sobrinho de 9 anos sempre aparece com alguma novidade. Ontem, ele ligou pra contar a última, o blog Coisas de Manoel, que já tem umas coisas ótimas, como a história chamada "Cadê meu fígado".

(ST)

3 de mar de 2010

O gato de março


O tema do meu calendário 2010 são os "Gatos de Andy Warhol", presente de uma amiga que me conhece bem e sabe do meu fraco pelos bichanos. A legenda que acompanha a carinha sonhadora do "modelo" lembra que a gente tem que estar a fim de ficar feliz mesmo quando não acontece nada. É bom bater os olhos nessa frase todo dia. Também gosto do gato de agosto:

Além do mistério, ele tem atitude, não tem?

(ST)

2 de mar de 2010

Tardes de chocolate

Lado a lado, os soldados-bolinhas iam se enfileirando até ocupar todo o pátio do quartel. Sobre a mesa da cozinha, minha avó inventava um exército de brigadeiros.

(ST)

1 de mar de 2010

Vai um vampirinho?

Pensei que a sede de leituras vampirescas já estivesse acabando. Mas, passeando por uma grande livraria do shopping, vi que estou completamente equivocada e por fora. Expostos numa mesa enorme, trocentos títulos sobre a saga, a fúria, o despertar, os diários, uma biografia, a enciclopédia (!), a guerra e a paz, as paixões. Tinha um livro até sobre o "dente" do vampiro. Impressionante.
...
Uma amiga sugeriu: por que você não escreve a história de um vampirinho? Comecei a imaginar um garotinho branquelo, tristonho e cabisbaixo, rodeando a mesa da livraria. Estava chateadão porque também queria ter o seu momento-celebridade, mas ainda não tinha encontrado alguém disposto a publicar seu livro. Não se conformava de perder a carona na maré de sucesso dos mais velhos. É verdade que a primeira história não era lá essas coisas -- "Tem uma pegada Gasparzinho, é meio antiga", disse o agente, depois de ler as 458 páginas das "Aventuras de um Pequeno Vampiro Solitário". Mesmo assim, ele não desistiu. Reescreveu tudo, inventou cenas dramáticas, exagerou, e não adiantou. O novo enredo também não tinha empolgado ninguém. O último agente nem achou tão ruim assim, mas disse que a história não ia render filme, série na tv, desenho animado. Enfim, não tinha futuro. Depois disso, o pobrezinho deprimiu de vez. Deve ser difícil ouvir uma coisa dessas quando a gente tem a eternidade toda pela frente.

(ST)

A chave de casa

Cada vez que ouvia o barulhinho novo dentro da bolsa, sentia um arrepio de contentamento. Era como se, agora, pudesse abrir todas as portas do mundo.

(ST)